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Como querer ser tudo na vida de alguém pode fazer essa pessoa deixar de te desejar?

  • lysuaide
  • há 2 horas
  • 2 min de leitura

Eu escuto muito frases como: “Eu quero ser tudo na vida dessa pessoa.” “Eu quero estar em todos os programas.” “A ideia de ele fazer alguma coisa sem mim me enlouquece.”

Isso aparece bastante no consultório… e eu queria te contar dois casos que fazem a gente pensar.

No primeiro, uma mulher que conseguiu exatamente isso. Ela se tornou o único objeto de desejo do parceiro. Ele passou a incluí-la em tudo, não fazia mais nada sem ela, eles estavam sempre juntos.

E aí ela chegou na sessão e falou: “Ele realmente fez tudo que eu desejei, mas eu comecei a achar ele meio… sem graça.”

O que apareceu ali?

Ela percebeu que existia uma certa tirania nesse pedido. E, no momento em que ele topou tudo, ela perde o desejo por ele. Porque ele deixou de ter personalidade, deixou de ser alguém com desejo próprio.

Agora, um o segundo caso. Uma mulher que também queria ser tudo na vida do parceiro. Muito exigente, muito intransigente.

Só que, em determinado momento, esse parceiro colocou um limite. Ele disse: “Não. Minha vida não funciona assim.”terminou com ela.

Depois de um tempo de análise, ela volta e me diz: “Foi a melhor coisa que ele poderia ter feito por mim.”

Porque, a partir desse rompimento, ela percebeu algo importante.

Ela queria ser o centro da vida dele, porque ela não fazia ideia do que queria pra própria vida.

E aí, a partir disso, ela começou a se movimentar. Foi estudar, trabalhar, ganhar melhor, construir interesses próprios. E a vida dela mudou completamente.

Hoje, ela diz: “Eu não só não quero mais ser tudo na vida de alguém, como eu nem teria tempo pra isso.”

E isso é muito interessante, porque recentemente ela se relacionou com alguém que queria exatamente estar em tudo da vida dela. Ela também não aguentou. Terminou.

Porque a vida dela ficou mais rica quando voltou a ter espaço, diversidade, outras coisas.

Então o que esses dois casos mostram pra gente?

Que essa ideia de amor romântico, de que o outro vai ser tudo, de que a gente não vai desejar mais nada, não se sustenta.

Pelo contrário.

Ou sufoca.

Ou faz o desejo desaparece.

Ou a gente deixa de ser interessante.

Amar alguém não é esquecer da sua própria vida. É justamente conseguir ter outros espaços, outros interesses, outros desejos.

Porque é isso que mantém a gente vivo, interessante… e desejante.



 
 
 

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